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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A PARTIDA ....



A PARTIDA ...


Quando chegámos ao cimo do Madanelo, já a caminho da Guarda, pude ver, num derradeiro olhar, a aldeia com as casas de granito, semeadas entre as verduras dos castanheiros e dos pinheiros do vale. Estas casas de xisto e de gr...anito, – anagalhadas no vale entre os carvalhos velhos – enrugadas como os homens, são, na história escrita em cada uma das pedras, testemunhas silenciosas d...as penas daquelas gentes. Impassíveis, sofrem as inclemências do sol a queimar no estio e os frios dos ventos depois dos nevões nos prolongados Invernos. Assemelham-se algumas das gentes, que por ali se foram quedando e resistindo, aos penedos frios e velhos que também não têm sonho nem lamento. Passaram anos a ser mandados, viram nascer e morrer animais, árvores e homens. Naquele beco do mundo, onde a rotina há muito ganhou musgo, olhavam os que chegavam e os que partiam.
Senti um baque no peito e tive a real certeza de que a coisa era comigo, muito mais do que alguma vez pensara. Aqueles meses de preparação pareceram-me até divertidos. Os dias decorriam e eu era o centro das atenções. Muito tempo haveria agora de correr até que um dia eu ali pudesse voltar. Só Deus sabia se alguma vez ou nunca mais.
Mas a quantos isto aconteceu num tempo a que a memória há muito perdeu o rasto?
Quantos tiveram de partir em busca de terras distantes onde lhes fosse assegurado o futuro?
Não fui o primeiro nem o último. Só Deus sabe quantos, um dia, sentirão como eu a amargura da partida.
Durante mais de uma hora de viagem ninguém disse palavra. O nosso Tó conduzia as vacas e o carro em silêncio. Vigiavam os caminhos, os enormes pedregulhos que foram arredondados pelos séculos. Nem os eixos soavam. Contornámos a cidade e fomos directos para a estação.

in - O CAÇADOR DE BRUMAS
I Parte - Por esta vida acima

sábado, 21 de janeiro de 2012

Mulher Africana




Mulher Africana

Lindas meninas de cor negra
Com a tradicional vestimenta colorida
Com as suas tranças cobertas por lenços de encantar
Lindas, todas torneadas e pintadas de preto
São filhas desse enorme continente

Filhas de uma Nação que foi abandonada depois de roubada

África que todos os dias nos dás novos sons
Que a todos encanta e nofaz dançar
Com cores sem fim

Todas as Nações gingam ao sabor dos teus sons
Africanos pintados de preto, tornam-se belos como toda a Angola
E eu com a minha poesia, não te esqueço
E só te quero ver a gingar.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

DESAFIO

Pinturas e Poemas já não me pertence, saiu de casa.

Passou a ser pertença de quem o saiba acarinhar e criticar, mas como a vida continua, vou tentar a ousadia de criar um segundo Livro, talvez com o seguinte título:
Pinturas, Histórias e Poemas, vai ser um novo desafio que espero que não fique no papel, conto como sempre, com os verdadeiros Amigos, que ao longo do seu caminhar, irão fazer as critias e os ajustes devidos, não ouso ser Pintor nem Escritor, e muito menos romancista, este foi e será. um modo de vida que encontrei para me distrair e cultivar.
-
Todos os poemas não são só feitos de letras, que o poeta com ardor escrevinha no papel, mas o verdadeiro poema, esse está sempre nas folhas que ficarão em branco. Quando se pinta, é como se o artista escrevesse uma poesia, que se acompanha, e que se vê no horizonte da sua criação. quando se contam histórias é como se fosse reviver o passado

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Pintura e Poemas, já saiu de casa.

Todos os poemas não são só feitos de letras, que o poeta com ardor escrevinha no papel, mas o verdadeiro poema, esse está sempre nas folhas que ficarão em branco. Quando se pinta, é como se o artista escrevesse uma poesia, que se acompanha, e que se vê no horizonte da sua criação.


PINTURA E POEMAS, representa um intenso trabalho do autor, foram-lhe criadas asas para voar, agora que deixou o ninho, vai aprender a voar, já não é só meu, é de todos que o queiram como companhia.

Assunto: Re: Publicação 'Pintura e poemas ' já disponível para venda:

http://www.sitiodolivro.pt/pt/livro/pintura-e-poemas/9789892027098/    

€11,99

sábado, 24 de setembro de 2011

Eu procuro um coração

Eu procuro um coração,
mas não um coração qualquer.
Tem que ser um conpativel
com a dureza dos tempos
em que nós vivemos,
para poder suportar as provas.
Procuro um coração forte,
mas suficientemente brando
para perceber a dor das pessoas
e sensibilizar-me ante eles...
procuro um coração
com um ritmo que seja ligeiro
mas ao mesmo tempo controlado,
para que me ajude ter paciência
diante das coisas que me parecem injustas,
mas que eu não posso mudar...
Procuro um coração estavel;
Que me dê a segurança que necessito
para enfrentar o meu destino
e saber que tudo tem o seu lugar
e o seu tempo;
Que nada acontece por casualidade...
procuro um coração
que simplesmente ame,
porque o amor
é a chave de tudo:
Do principio e do fim,
de parar ou seguir,
de viver ou morrer...
BUSCO UM CORAÇÃO ESPECIAL...
Acaso o tens tu???


Helena Lopes (FB)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Nasci.....


Nasci
com os meus grilhetes
pendurados no pescoço
Nunca ninguém me falou disso
mas na verdade ainda os sinto.
Sempre me fizeram sofrer
ter pesadelos ao adormecer
as dores ao pisar a erva tenra
sob as botas sem palmilhas
ajudava-me a velar o sono das sementes
e balbuciar os cantos das lavras
São eles, os grilhetes
que me ligaram
a quem afincadamente fez a fogueira
grilhões que me arrastam
na palha, esteira do meu povo.
Cresci
com os meus grilhetes
ou "lubambos" como chamamos no nosso povo
nas pernas, no pescoço
Nunca andarei só
Serei sempre jovem no meio do meu Povo.

A Chuva no capim.....

A Chuva no capim.......
... e quando a chove no capim que nos rodeia este fica cheio de perfume, como se tivesse sido coberto de flores,
ao acordar, com os braços bem esticados, para poder abraçar essa imensa manhã, limpa, sem nuvens, esse cheiro a flores..
O dia de ontem passou, escondeu-se por entre o florido das buganvilias.Ontem, as flores murcharam, não passavam de coisas ontem o medo percorreu a imensidão da planicie até se ouvia no silêncio o patinhar da bicharada sobre a areia.
A poesia que tento escrever, tenta ser a voz do povo que tenta percorrer atras do denso capim em silêncio, persistente que rompe a mancha da noite e que nos cobre, que nos fala.
Como é maravilhoso, admirar o pulsar do sangue em cada estrelade dia o sol que nos ilumina é negro, arde, queima.....
os longos cheiros que a chuva despertou nas terras de vermelho que nos envolve
que a chuva fez brotar o cheiro das flores, as flores da intensa chuva.
O sol aos poucos torna-se é negro, e brilha como os vulcões
esconde-se de novo nos peitos dos indigenas, independente.
Nesta madrugada da Setembro, pergunto....
Serei angolano!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A minha Homenagem!



Silenciam as palavras
Que não dizem
Gritam um grito
De silêncio mudo
Sofrem calados,
A dor que não choram
Soltam lágrimas
Que falam de dor
Contidas em gritos silenciados,
Doridos…
Remetidos ao túmulo perante a indiferença
De um LOUCO, com cheiro a morte...
Da morte…
Pobres inocentes…!
Que sofreram e sofrem em silêncio…

sábado, 28 de maio de 2011

Poemas, Histórias e Quadros Africanos

Para a mulher Negra
Que outros cantem o teu corpo
Que cantem aos ventos, que é feiticeiro
Que é sedutor,
Que na sua volúpia,
se oiça os madrigais à tua dor.
Que cantem outros, os teus requebros
nos passos cadenciados de massemba
e da quilapanga,
No teu rosto, os teus olhos onde a noite brilha,
e o luar é doce,,
a tua boca, os teus beiços têm o sabor das frutas frescas.
Que os outros cantem aos ventos, os teus usos
Deixa que cantem,
as formas sensuais da tua raça.
Que não são mais que uma graça sensual,
sempre cheia de exotismo,
que só existe na tua raça.
Deixa que os homens e os poetas
cantem o teu corpo,

e fiquem infinidamente, a olhar
um corpo cheio de mistério e de feitiço...
Deixa que todos csntem o teu corpo
- que eu sempre cantarei o mais fundo do teu ser,
serás a minha amada,
como eu gostaria de saber cantar África.